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Cockpit Automóvel - Conteúdos Auto


Quarta-feira, 25.01.12

Renault, marca automóvel mais vendida em Portugal, oferece garantia total de 5 anos ou 150 000 Kms

A Renault é das marcas europeias que mais tem evoluído na questão da fiabilidade dos automóveis que produz, conforme comprovam vários estudos independentes de organizações europeias que colocam os seus modelos mais recentes no topo da qualidade e fiabilidade dos respectivos segmentos. Confiante no nível de qualidade que conseguiu atingir, desde 1 de Janeiro de 2012 a Renault passou a aplicar uma garantia total de 5 anos ou 150.000 km para todos os modelos de passageiros ou comerciais ligeiros à venda em Portugal. Alarga-se assim o período até aqui em vigor que, desde 2007, era de 3 anos ou igual número de quilómetros.
A questão da garantia automóvel tem sido um dos principais argumentos dos novos fabricantes automóveis que disputam o mercado europeu com as grandes construtoras do Velho Continente. Primeiro os japoneses, depois os coreanos, utilizam a oferta de garantias mais alargadas do que o mínimo de 2 anos exigível pelas leis europeias, para demonstrar a confiança e qualidade dos seus produtos.
Procuram desse modo cativar e tranquilizar o cliente e, simultaneamente, tentam também manter o comprador nos serviços da marca através das habituais revisões programadas, condição essencial para a manutenção das condições dessa garantia.

Marca de confiança

No caso da Renault, inquéritos independentes realizados por reputadas empresas ou institutos como a ADAC ou a JD Power, que avaliam mercados tão exigentes como o alemão, classificam a generalidade dos mais recentes modelos da Renault como “bons” ou “excelentes”.
Outro indicador, extremamente relevante, do nível de qualidade e fiabilidade atingido pelos automóveis Renault, é o das despesas de garantia. Ora desde 2008 que, a nível mundial, a Renault tem registado anualmente diminuições da ordem dos 15 por cento nesse tipo de gastos.

Líder em Portugal

Em grande parte por causa de tudo isto, a Renault é consecutivamente nos últimos anos, a marca preferida pelos portugueses. Com uma quota de mercado de 12 por cento (passageiros + comerciais ligeiros), a que correspondem cerca de 22.600 automóveis vendidos, a Renault liderou, em 2011, e pelo 14º ano consecutivo, o mercado automóvel em Portugal.
A este valor pode ainda juntar-se o excelente resultado comercial da marca “low-cost” do fabricante francês, a Dacia. A marca romena quase duplicou a sua quota de mercado, passando a fazer parte do lote das 20 marcas mais vendidas em Portugal.
Este resultado ganha maior relevância porque 2011 registou uma quebra significativa das vendas em Portugal. Com uma contracção de 31,3% no mercado de veículos de passageiros e de 23,6% nos veículos comerciais ligeiros, os 188.300 automóveis vendidos fizeram de 2011 o pior ano para o sector desde a liberalização do mercado em 1988.

Mégane recordista

Com grande parte do sucesso da Renault em Portugal assente nas vendas da terceira geração do Mégane, mais uma vez (e sempre desde o seu lançamento em 2009), esta foi a gama mais vendida em Portugal. O Clio, no seu 6º ano pleno de comercialização, foi o 3.º mais vendido no nosso país.
Para a Renault, 2011 ficará ainda marcado pela concretização do seu compromisso com a mobilidade “zero emissões”, materializada com a apresentação dos primeiros 2 modelos totalmente movidos a energia eléctrica: o Fluence Z.E. e o Kangoo Z.E.

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Quarta-feira, 03.08.11

RENAULT 4: «blue jeans» de 4 Rodas ou MPV dos anos 60?

Com a "Quatrelle", nome pelo qual viria a tornar-se popularmente conhecida, a Renault pretendeu criar um veículo polivalente e barato, logo popular, e, não menos importante, concorrer com o rival Citroën 2CV.

Ao contrário do Volkswagen e do Mini, que partiram da genialidade de dois grandes senhores da história do automóvel, o Renault 4 é produto do trabalho de uma equipa e da vontade de um homem: Pierre Dreyfus, na altura presidente da Regie Renault.



Olhando para o panorama social da Europa de então, o responsável máximo da marca francesa pediu ao seu departamento criativo "um carro diferente e cómodo", que servisse "para todo o trabalho e com quinta porta traseira", capaz de agradar "a todos os clientes do mundo com poucos recursos".
"Quero um veiculo que seja como um 'blue jeans', totalmente versátil, para toda a ocasião e que não passe de moda...", sintetizou.
Este veículo, que além de versátil pretendia-se intemporal e adaptável a todas as ocasiões, receberia o nome de Renault 4.
Com concepção simples, fiável e versátil nos mais variados tipos de terreno, o R4 possuia ainda uma estética fortemente personalizada. Mas trazia consigo também uma série de conceitos inovadores na industria automóvel: o modo de abertura da quinta porta, um plano de carga isento de arestas, um circuito de refrigeração hermético e selado e a supressão dos pontos de lubrificação que facilitavam a sua manutenção.

O sucessor da "joaninha"


O número "4" parece ter um carácter mágico para o construtor francês. É que pouco tempo depois de terminada a II Guerra Mundial, a nacionalizada Renault lançou um modelo que gozou de enorme simpatia, o Renault 4 CV, vulgarmente conhecido por "joaninha".
Nos finais dos anos 50, o Renault 4 CV custava cerca de 399 mil francos franceses e o Citroën 2 CV, 346 mil. Uma das premissas do caderno de encargos do novo automóvel era que o seu preço se situasse nos 350 mil francos.

Da quinta porta à ausência de eixos


O "Projecto 350", designação dada ao caderno de encargos da sua concepção, apontava para uma viatura robusta, mais confortável e mais ampla que o 2 CV, mas igualmente de concepção simples, fiável e versátil nos mais variados tipos de piso.

Como qualquer modelo que pretenda fazer história, o carro deveria ser dotado de uma estética fortemente personalizada e de conceitos inovadores. O modo de abertura da quinta porta e o plano de carga isento de arestas cumpriram a função em termos funcionais, acabando por ser adoptado por muitos outros modelos.
Mas, para aqui chegar, os técnicos depararam-se com bastantes desafios. Para tornar o habitáculo mais amplo rapidamente concluiram que tanto o motor como a transmissão deveriam ser dianteiros. Na suspensão traseira aplicaram-se barras de torção transversais, rodas independentes e amortecedores numa curiosa posição quase horizontal. Intrigante - e provavelmente ainda hoje inédito - é o facto de a distância entre eixos ser superior em 48 mm do lado direito.

Engenhoso e robusto


Estes simples e aparentemente rudimentares truques de engenharia mecânica, que se manteriam praticamente inalterados durante toda a vida do Renault 4, seriam responsáveis pelo à-vontade e robustez demonstradas em qualquer tipo de piso e pelo comportamento do veículo, independentemente da carga que transportasse.

Depois de estudadas as possibilidades de criar um motor de dois cilindros com cerca de 600 cc, a escolha recaiu no propulsor de 747 cc que equipava o "joaninha"; era a mais económica e fiável das soluções. A caixa de três velocidades tinha apenas a segunda e a terceira sincronizadas, com o respectivo comando numa posição em tudo semelhante à do dois cavalos...

Para além de suspensões flexíveis, o R4 possui ainda mais duas inovações: um circuito de refrigeração hermético e selado, com um líquido especial colocado uma única vez na altura da montagem. Foi igualmente o primeiro a suprimir os pontos de lubrificação, graças à adopção de rótulas esféricas e de juntas e articulações em borracha e grafite. Para a manutenção periódica da viatura, bastava portanto verificar e atestar apenas o nível do óleo do motor e da caixa de velocidades.

E para andar um pouco de gasolina, claro...

Aparência "bizarra"


Os primeiros protótipos entraram em testes nos finais de 1959. O nome, "Renault 4", deve-se aos 4 cavalos fiscais que possuía no seu país de origem. Os ensaios decorreram nas mais variadas situações, desde o mau piso da Sardenha ao frio do estado norte-americano do Minesota, passando pelo calor árido do deserto do Sahara.

Quando o empregado de uma estação de serviço norte-americana viu o novo modelo, terá mesmo exclamado: "que carro se esconde por debaixo desta estranha camuflagem?"

E a aparência era mesmo bastante inédita, deselegante e até bizarra para os cânones estilísticos da altura. Principalmente devido à secção traseira quase vertical.

Desde logo, o Renault 4 evidenciou uma clara versatilidade para todo o tipo de terreno. Mesmo se a fraca potência do motor e a tracção dianteira pareciam factores inibidores de grandes aventuras.
A reacção dos concessionários e representantes da marca foi de total desagrado e descrédito: um carro com aquela forma nunca se venderia, achavam eles!

Forte e inédita campanha promocional
O ano de 1961 assinala o fim da produção do Renault 4 CV (joaninha). Escolhidos para o sucederem foram o Renault 3 e o Renault 4.

A 3 de Agosto é oficialmente produzido o primeiro R4.
Na apresentação à Imprensa, foram propositadamente escolhidos os percursos mais duros. As opiniões dificilmente poderiam ser mais favoráveis.
O primeiro contacto com o público aconteceu no Salão Automóvel de Paris desse ano, através de uma inédita acção promocional: na exposição, o carro podia ser experimentado num circuito de todo o terreno contíguo ao salão; em Paris, os franceses eram convidados a dar uma volta com o carro, por onde quisessem, ao longo das ruas da capital.
Saliente-se que este tipo de lançamento de um novo automóvel não era habitual na altura, tal como aconteceria com a criativa e deveras apelativa campanha publicitária.

Carisma, moda e sucesso


As inúmeras versões que conheceu ao longo dos 31 anos de produção, atestam bem a aceitação que o carro teve... e ainda tem!
O carisma, a versatilidade do espaço e de condução e uma fácil e pouco dispendiosa manutenção mantêm-se como as principais razões do seu sucesso.

Actor de cinema, viajante empedernido, arma de trabalho, companheiro de férias, missionário em África, camelo no deserto e aristocrata em Paris, Londres ou Roma, a tudo e a todos o R4 se adaptou.

Em finais dos anos 90 ainda competia no Mundial de Ralis, conduzida pelo piloto português António Pinto dos Santos. Pela invulgaridade era um dos veiculos mais procurados e, apesar das prestações modestas, chegou ao fim da maioria das provas em que participou.
O "blue jeans" de Pierre Dreyfus cumpriu a sua função, impondo uma moda e um estilo de que muitos poucos automóveis se podem orgulhar de ter conseguido!
CURIOSIDADES!

* Os planos daquela que seria a segunda geração do R4, começaram ainda antes de a primeira ter sido lançada. Ousadamente os primeiros protótipos apresentavam uma orientação estética oposta ao grande sucesso estilístico do mercado francês da altura: o Renault Dauphine.

* Inicialmente existiu também a versão de 603 cc e 22,5 cv, dotada do mesmo bloco motor mas com cilindros de menor diâmetro. O Renault 3 CV, como foi designado devido à sua potência fiscal, destinava-se ao mercado francês e seria o concorrente mais directo do Citroen 2 CV.

* Em paralelo com a versão de passageiros, foi criada uma outra essencialmente de carga: a Fourgonette.

Para além da originalidade do conceito de pequeno furgão, a R4F inovou também com uma pequena abertura na parte traseira do tejadilho, designada "girafon", porque, nos primeiros anúncios ao modelo, era utilizada uma girafa para demonstrar a utilidade desta porta no transporte de objectos mais longos. Houve ainda uma variante de passageiros do R4F, hoje bastante procurada.

* A sua plataforma versátil deu também lugar a sedutoras ou estranhas formas de carroçaria, desde modelos descapotáveis, jipes (chegou a existir uma versão de quatro rodas motrizes), carrinha de caixa aberta e até um pseudo Fórmula 1!



* Tal como o carro em si a publicidade era igualmente simples mas eficaz


* Com mais de oito milhões de unidades é um dos carros mais vendidos de sempre.


* Menos de sete anos após o lançamento, já o construtor procurava um sucessor. A intenção nunca foi integralmente assumida, provavelmente porque o Renault 6, lançado em 1968, nunca conheceu a mesma popularidade do Renault 4.

 * Um comunicado da altura descrevia assim o modelo: "não interessa o quanto se puxe por este motor, ele nunca demonstra stress".

* Conheceu inúmeras versões. Uma das mais elegantes surgiu cerca de dois anos depois e foi denominada Parisiense.


A promoção, lançada em conjunto com a revista Elle, foi um claro piscar de olhos à potencial clientela feminina, ou não tivesse parte da carroçaria revestida com um tecido em tom palha ou padrão escocês.


* Se quisermos encontrar um paralelo de sucesso na história do construtor francês, o exemplo mais próximo é o do Renault 5 lançado em 1972.

Importa referir este modelo devido à história curiosa que rodeou a sua concepção, que está directamente relacionada com o Renault 4.
O R5 nasceu quando um dos projectistas da marca francesa, encontrou, por acaso, uns esquemas do R4. Começando a desenhar por cima dos esboços, limando as arestas, subitamente reparou que tinha criado um novo carro. Era não apenas mais baixo e mais arredondado como, apesar de mais compacto, conseguia ser mais amplo. Os responsáveis adoraram o resultado e bastaram somente dois dias para se construir uma maqueta, em tamanho real, enquanto, comparativamente, tinham sido necessários 27 modelos para se chegar à forma definitivado R6!

* A exemplo do Volkswagen e do Mini, o Renault 4 chegou até aos nossos dias. A sua produção foi descontinuada em 1992. Em 1997 a Renault apresentou o Kangoo, estabelecendo uma ponte com o seu modelo mítico, o R4. Para além da forma, de novo uma porta fazia a diferença. Desta vez era a lateral. Curiosamente, o Kangoo aproxima-se da forma e do conceito de outro carro lançado pouco tempo antes. Talvez não por acaso esse carro é um Citroën...

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Quarta-feira, 28.07.10

Carregar o futuro

 
A Renault vai ser não apenas a primeira marca a comercializar uma gama completa de veículos eléctricos – quatro modelos e não apenas um – como está a revelar-se pioneira na antevisão de um futuro que se aproxima em grande velocidade. A alguns meses de lançar no mercado o Fluence Z.E. e o Kangoo Z.E., a marca francesa tem vindo a dar a conhecer um futuro posto de carregamento numa acção de comunicação completamente inédita que está a ter como palco os “El Corte Inglés” de Lisboa e Porto e que é complementada por uma outra campanha no Aeroporto da capital.

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Terça-feira, 29.12.09

Por um planeta mais azul

Energia verde

Para que a terra não perca, ainda mais, o seu característico azul quando vista do espaço, os principais fabricantes mundiais de automóveis vão gradualmente apostando em novos modelos que dispensam os combustíveis fósseis. Marcha sobre rodas uma enorme revolução verde

Apesar do estrondoso fracasso que foi a Cimeira de Copenhaga, em parte porque se alimentaram elevadas expectativas quanto ao bom resultado das diferentes negociações, a verdade é que os principais líderes mundiais não se entenderam quanto à redução de emissões poluentes para a atmosfera.
Ao contrário disso, a indústria automóvel mundial aposta, cada vez mais, no desenvolvimento de "carros verdes". Uma consciência ecológica cada vez mais forte por parte dos consumidores, os receios da subida do preço dos combustíveis, ou até mesmo a escassez do petróleo fóssil, têm "obrigado" os grandes construtores a dirigirem milhões de euros para a investigação e desenvolvimento de soluções eléctricas, concebendo motores mais eficientes ou recorrendo a outros carburantes como o hidrogénio. Tudo em prol da diminuição das emissões de dióxido de carbono, considerado o principal responsável pelas alterações climáticas.

Conjuntura agravou-se

Contudo, a situação não é nova. Na segunda metade do século XX, diversas crises do petróleo já tinham levado à aceleração do desenvolvimento de motores e veículos mais eficazes no que toca aos consumos. Em resultado disso, a tradicional gasolina e gasóleo foram, em certos casos, substituídos por outros combustíveis naturais provenientes de plantas oleaginosas, da fermentação de cereais ou da destilação da cana-de-açúcar.
Agora, o caso é bastante mais grave. A qualidade de vida está em risco, os efeitos das emissões de dióxido de carbono são bem evidentes e, talvez como nunca, a maioria da população mundial ganhou a consciência de que o futuro também está nas suas mãos, passando a exigir, com maior veemência, a tomada de medidas urgentes da parte dos principais agentes poluidores.
Sendo assim, especialistas do sector prevêem que apenas daqui a quinze anos, em 2025, os carros eléctricos, híbridos ou a hidrogénio passem a ter uma quota relevante no mercado automóvel.

Vanguarda francesa

Como aqui se foi dando conta ao longo do ano que agora acaba, num futuro muito próximo deverão chegar ao mercado diversos veículos eléctricos.
A Aliança Renault-Nissan estabeleceu um acordo com o estado português, visando o desenvolvimento conjunto desta solução de mobilidade. Como "prémio", Portugal foi, a par da Inglaterra, um dos países escolhidos para a construção de uma das novas fábricas de baterias de iões de lítio para estes carros. Ficará localizada em Aveiro, nas instalações que a Renault já possui em Cacia.
Esta marca francesa irá apresentar quatro modelos eléctricos até ao final de 2012. O fabricante resolveu "saltar" a fase dos "híbridos", directamente para um carro "zero emissões". Paralelamente, tem vindo a optimizar o rendimento dos motores diesel e a gasolina, com vista à redução de emissões, na ordem dos 15 a 20%.
O primeiro modelo da Renault a chegar ao mercado, de momento já em fase final de testes, será o Kangoo eléctrico, seguido do Fluance que, tal como o Kangoo, parte de uma base já existente com motor de combustão. Seguir-se-á, mais tarde, o Twizy e o Zoe, estes dois desenhados e pensados exclusivamente para o mercado eléctrico.
A empresa está igualmente a trabalhar em carros alimentados a hidrogénio, se bem que a muito longo prazo, dispondo já de um protótipo: o Scénic ZEV H2.

Parceria forte

O grupo francês PSA, que congrega as marcas Peugeot e Citroën, estabeleceu uma parceria com a japonesa Mitsubishi, visando o desenvolvimento de diversas soluções eléctricas. O primeiro resultado desse acordo é o Peugeot Ion, baseado no Mitsubishi i-MiEV, que se prevê inicie a comercialização em finais do próximo ano.
Até lá, o construtor gaulês lançou um novo motor diesel que emite menos de 99 gramas de CO2 por quilómetro e também uma nova gama de propulsores de segunda geração com sistema "stop/start". Graças a este dispositivo que desliga o motor em semáforos, por exemplo, a marca anuncia uma redução de 15% nas emissões e, naturalmente, melhores consumos.
Em finais de 2010, princípios de 2011, está igualmente previsto o lançamento dos primeiros híbridos das duas marcas francesas. O primeiro será o Peugeot 3008 HYbrid4, seguindo-se o Citroën DS4 HYbrid4.

Smart eléctrico

Outro veículo bastante aguardado, até porque a popularidade granjeada lhe valeu, até ao momento, quase um milhão de unidades produzidas, é o Smart eléctrico.
Encarado, desde a sua concepção, como uma excelente solução de mobilidade para a densa malha urbana, o Smart Fortwo recebeu o primeiro projecto-piloto de uma versão eléctrica em 2007, menos de 10 anos após a sua chegada ao mercado. A Mercedes, construtor que detém a Smart, já revelou que planeia um primeiro lançamento comercial já em 2010, embora só deva massificar a sua produção em 2012. O início do fabrico em série do que deverá já ser a versão final do modelo, aconteceu no princípio deste mês. Mas estas primeiras 1000 unidades serão entregues apenas a projectos de mobilidade que participaram no seu desenvolvimento.

Ver AQUI mais notícias relacionadas com o tema

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Quinta-feira, 27.07.06

O «blue jeans» das 4 Rodas

Com a "Quatrelle", nome pelo qual viria a tornar-se popularmente conhecida, a Renault pretendeu criar um veículo polivalente e barato, logo popular, e, não menos importante, concorrer com o rival Citroën 2CV.

Ao contrário do Volkswagen e do Mini, que partiram da genialidade de dois grandes senhores da história do automóvel, o Renault 4 é produto do trabalho de uma equipa e da vontade de um homem: Pierre Dreyfus, na altura presidente da Regie Renault.



Olhando para o panorama social da Europa de então, o responsável máximo da marca francesa pediu ao seu departamento criativo "um carro diferente e cómodo", que servisse "para todo o trabalho e com quinta porta traseira", capaz de agradar "a todos os clientes do mundo com poucos recursos".
"Quero um veiculo que seja como um 'blue jeans', totalmente versátil, para toda a ocasião e que não passe de moda...", sintetizou.
Este veículo, que além de versátil pretendia-se intemporal e adaptável a todas as ocasiões, receberia o nome de Renault 4.
Com concepção simples, fiável e versátil nos mais variados tipos de terreno, o R4 possuia ainda uma estética fortemente personalizada. Mas trazia consigo também uma série de conceitos inovadores na industria automóvel: o modo de abertura da quinta porta, um plano de carga isento de arestas, um circuito de refrigeração hermético e selado e a supressão dos pontos de lubrificação que facilitavam a sua manutenção.


O sucessor da "joaninha"


O número "4" parece ter um carácter mágico para o construtor francês. É que pouco tempo depois de terminada a II Guerra Mundial, a nacionalizada Renault lançou um modelo que gozou de enorme simpatia, o Renault 4 CV, vulgarmente conhecido por "joaninha".
Nos finais dos anos 50, o Renault 4 CV custava cerca de 399 mil francos franceses e o Citroën 2 CV, 346 mil. Uma das premissas do caderno de encargos do novo automóvel era que o seu preço se situasse nos 350 mil francos.

Da quinta porta à ausência de eixos


O "Projecto 350", designação dada ao caderno de encargos da sua concepção, apontava para uma viatura robusta, mais confortável e mais ampla que o 2 CV, mas igualmente de concepção simples, fiável e versátil nos mais variados tipos de piso.

Como qualquer modelo que pretenda fazer história, o carro deveria ser dotado de uma estética fortemente personalizada e de conceitos inovadores. O modo de abertura da quinta porta e o plano de carga isento de arestas cumpriram a função em termos funcionais, acabando por ser adoptado por muitos outros modelos.
Mas, para aqui chegar, os técnicos depararam-se com bastantes desafios. Para tornar o habitáculo mais amplo rapidamente concluiram que tanto o motor como a transmissão deveriam ser dianteiros. Na suspensão traseira aplicaram-se barras de torção transversais, rodas independentes e amortecedores numa curiosa posição quase horizontal. Intrigante - e provavelmente ainda hoje inédito - é o facto de a distância entre eixos ser superior em 48 mm do lado direito.


Engenhoso e robusto


Estes simples e aparentemente rudimentares truques de engenharia mecânica, que se manteriam praticamente inalterados durante toda a vida do Renault 4, seriam responsáveis pelo à-vontade e robustez demonstradas em qualquer tipo de piso e pelo comportamento do veículo, independentemente da carga que transportasse.

Depois de estudadas as possibilidades de criar um motor de dois cilindros com cerca de 600 cc, a escolha recaiu no propulsor de 747 cc que equipava o "joaninha"; era a mais económica e fiável das soluções. A caixa de três velocidades tinha apenas a segunda e a terceira sincronizadas, com o respectivo comando numa posição em tudo semelhante à do dois cavalos...

Para além de suspensões flexíveis, o R4 possui ainda mais duas inovações: um circuito de refrigeração hermético e selado, com um líquido especial colocado uma única vez na altura da montagem. Foi igualmente o primeiro a suprimir os pontos de lubrificação, graças à adopção de rótulas esféricas e de juntas e articulações em borracha e grafite. Para a manutenção periódica da viatura, bastava portanto verificar e atestar apenas o nível do óleo do motor e da caixa de velocidades.

E para andar um pouco de gasolina, claro...


Aparência "bizarra"


Os primeiros protótipos entraram em testes nos finais de 1959. O nome, "Renault 4", deve-se aos 4 cavalos fiscais que possuía no seu país de origem. Os ensaios decorreram nas mais variadas situações, desde o mau piso da Sardenha ao frio do estado norte-americano do Minesota, passando pelo calor árido do deserto do Sahara.

Quando o empregado de uma estação de serviço norte-americana viu o novo modelo, terá mesmo exclamado: "que carro se esconde por debaixo desta estranha camuflagem?"

E a aparência era mesmo bastante inédita, deselegante e até bizarra para os cânones estilísticos da altura. Principalmente devido à secção traseira quase vertical.

Desde logo, o Renault 4 evidenciou uma clara versatilidade para todo o tipo de terreno. Mesmo se a fraca potência do motor e a tracção dianteira pareciam factores inibidores de grandes aventuras.
A reacção dos concessionários e representantes da marca foi de total desagrado e descrédito: um carro com aquela forma nunca se venderia, achavam eles!

Forte e inédita campanha promocional

O ano de 1961 assinala o fim da produção do Renault 4 CV (joaninha). Escolhidos para o sucederem foram o Renault 3 e o Renault 4.

A 3 de Agosto é oficialmente produzido o primeiro R4.
Na apresentação à Imprensa, foram propositadamente escolhidos os percursos mais duros. As opiniões dificilmente poderiam ser mais favoráveis.
O primeiro contacto com o público aconteceu no Salão Automóvel de Paris desse ano, através de uma inédita acção promocional: na exposição, o carro podia ser experimentado num circuito de todo o terreno contíguo ao salão; em Paris, os franceses eram convidados a dar uma volta com o carro, por onde quisessem, ao longo das ruas da capital.
Saliente-se que este tipo de lançamento de um novo automóvel não era habitual na altura, tal como aconteceria com a criativa e deveras apelativa campanha publicitária.

Carisma, moda e sucesso


As inúmeras versões que conheceu ao longo dos 31 anos de produção, atestam bem a aceitação que o carro teve... e ainda tem!
O carisma, a versatilidade do espaço e de condução e uma fácil e pouco dispendiosa manutenção mantêm-se como as principais razões do seu sucesso.

Actor de cinema, viajante empedernido, arma de trabalho, companheiro de férias, missionário em África, camelo no deserto e aristocrata em Paris, Londres ou Roma, a tudo e a todos o R4 se adaptou.

Em finais dos anos 90 ainda competia no Mundial de Ralis, conduzida pelo piloto português António Pinto dos Santos. Pela invulgaridade era um dos veiculos mais procurados e, apesar das prestações modestas, chegou ao fim da maioria das provas em que participou.
O "blue jeans" de Pierre Dreyfus cumpriu a sua função, impondo uma moda e um estilo de que muitos poucos automóveis se podem orgulhar de ter conseguido!
CURIOSIDADES!

* Os planos daquela que seria a segunda geração do R4, começaram ainda antes de a primeira ter sido lançada. Ousadamente os primeiros protótipos apresentavam uma orientação estética oposta ao grande sucesso estilístico do mercado francês da altura: o Renault Dauphine.

* Inicialmente existiu também a versão de 603 cc e 22,5 cv, dotada do mesmo bloco motor mas com cilindros de menor diâmetro. O Renault 3 CV, como foi designado devido à sua potência fiscal, destinava-se ao mercado francês e seria o concorrente mais directo do Citroen 2 CV.

* Em paralelo com a versão de passageiros, foi criada uma outra essencialmente de carga: a Fourgonette.

Para além da originalidade do conceito de pequeno furgão, a R4F inovou também com uma pequena abertura na parte traseira do tejadilho, designada "girafon", porque, nos primeiros anúncios ao modelo, era utilizada uma girafa para demonstrar a utilidade desta porta no transporte de objectos mais longos. Houve ainda uma variante de passageiros do R4F, hoje bastante procurada.

* A sua plataforma versátil deu também lugar a sedutoras ou estranhas formas de carroçaria, desde modelos descapotáveis, jipes (chegou a existir uma versão de quatro rodas motrizes), carrinha de caixa aberta e até um pseudo Fórmula 1!



* Tal como o carro em si a publicidade era igualmente simples mas eficaz


* Com mais de oito milhões de unidades é um dos carros mais vendidos de sempre.


* Menos de sete anos após o lançamento, já o construtor procurava um sucessor. A intenção nunca foi integralmente assumida, provavelmente porque o Renault 6, lançado em 1968, nunca conheceu a mesma popularidade do Renault 4.


 * Um comunicado da altura descrevia assim o modelo: "não interessa o quanto se puxe por este motor, ele nunca demonstra stress".

* Conheceu inúmeras versões. Uma das mais elegantes surgiu cerca de dois anos depois e foi denominada Parisiense.


A promoção, lançada em conjunto com a revista Elle, foi um claro piscar de olhos à potencial clientela feminina, ou não tivesse parte da carroçaria revestida com um tecido em tom palha ou padrão escocês.


* Se quisermos encontrar um paralelo de sucesso na história do construtor francês, o exemplo mais próximo é o do Renault 5 lançado em 1972.

Importa referir este modelo devido à história curiosa que rodeou a sua concepção, que está directamente relacionada com o Renault 4.
O R5 nasceu quando um dos projectistas da marca francesa, encontrou, por acaso, uns esquemas do R4. Começando a desenhar por cima dos esboços, limando as arestas, subitamente reparou que tinha criado um novo carro. Era não apenas mais baixo e mais arredondado como, apesar de mais compacto, conseguia ser mais amplo. Os responsáveis adoraram o resultado e bastaram somente dois dias para se construir uma maqueta, em tamanho real, enquanto, comparativamente, tinham sido necessários 27 modelos para se chegar à forma definitivado R6!


* A exemplo do Volkswagen e do Mini, o Renault 4 chegou até aos nossos dias. A sua produção foi descontinuada em 1992. Em 1997 a Renault apresentou o Kangoo, estabelecendo uma ponte com o seu modelo mítico, o R4. Para além da forma, de novo uma porta fazia a diferença. Desta vez era a lateral. Curiosamente, o Kangoo aproxima-se da forma e do conceito de outro carro lançado pouco tempo antes. Talvez não por acaso esse carro é um Citroën...

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