Perante a aproximação de preço entre os dois combustíveis, a questão coloca-se cada vez mais na altura de adquirir um carro novo ou usado: a gasolina ou a diesel? Para baralhar, surgem novos modelos com motor a gasolina mais pequenos, contudo mais potentes, e também mais económicos. Enquanto isso, aumenta o rigor das entidades comunitárias para um maior controlo das emissões de substâncias perigosas libertadas pelos propulsores a gasóleo. E aquilo que, à partida, poder-se-á economizar no abastecimento, rapidamente deixa de fazer sentido quando chega à altura de ir à oficina; é que a manutenção periódica de um motor a gasóleo é, em média, 25 por cento mais cara do que uma versão equivalente a gasolina.
Houve um tempo em que compensava grandemente possuir um carro a gasóleo. Uma diferença de preço entre os dois combustíveis da ordem dos 30 cêntimos por litro e um Imposto Anual de Circulação menos elevado justificavam-no.
Os fabricantes contribuíram para a procura concebendo motores cada vez mais pequenos e potentes, fruto do desenvolvimento da gestão electrónica da injecção de combustível, feita a temperaturas e pressões cada vez mais elevadas e do uso de pequenas turbinas, capazes de incrementarem significativamente a potência.
Os motores a gasóleo tornaram-se mais silenciosos, mais equilibrados e cada vez mais económicos. Contudo, um motor a gasóleo é mais poluente do que o seu congénere a gasolina. Apesar do melhor rendimento deste combustível (comparativamente, um motor a gasolina “desperdiça” mais carburante no momento da explosão), a libertação de substâncias altamente tóxicas é superior num motor a gasóleo. Filtros de partículas cada vez mais elaborados (e caros, uma vez que utilizam, no seu interior, metais de elevado custo) são acrescentados, encarecendo cada vez mais o produto.
Evolução dos motores a gasolinaNa sua essência, um motor a gasolina conserva os princípios básicos desde que foi inventado há mais de 100 anos. Contudo, a electrónica veio permitir uma melhor gestão no momento da injecção do combustível (eliminando os vetustos carburadores), enquanto novas ligas metálicas tornaram mais leves e resistentes os blocos de motor. Isso permite aumentar o poder de detonação da gasolina e, por consequência, também a força gerada por via de uma explosão mais potente do combustível (uma explicação mais pormenorizada está no texto do ensaio ao
Nissan Micra 1.2/98 cv).
Isto resulta na rentabilidade acrescida dos motores a gasolina, capazes de transmitirem mais força com menores consumos. Por outro lado, tratando-se de um motor mais resistente e sendo uma tecnologia menos dependente de filtros e catalisadores, por exemplo, a sua manutenção torna-se mais económica.
Apesar de muitos dos modelos a gasóleo apresentarem intervalos de manutenção mais alargados.
Rentabilidade de um "diesel"Embora o valor possa variar consoante os casos, a manutenção de um veículo diesel é, em média, 25 por cento mais cara que a de um veículo a gasolina. Por outro lado, o custo de aquisição de um carro a diesel é, regra geral, superior à versão idêntica a gasolina.
Dever-se-ão também ter cuidados suplementares durante a condução de um carro a gasóleo, de modo a garantir a sua longevidade: não acelerar a frio, não “esticar” as mudanças, não conduzir apenas em cidade e não desligar imediatamente um carro a gasóleo depois de muitos quilómetros, para deixar o turbo arrefecer progressivamente. A verdade é que poucos proprietários seguem à risca estes princípios e a maioria desconhece-os por completo.
Apesar disso, para quem faz muitos quilómetros anualmente a opção do veículo diesel continua a ser mais económica. O número de quilómetros exacto depende do modelo e do tipo de utilização. Mas para um consumidor que efectue deslocações maioritariamente em cidade, a opção do gasóleo é fortemente desaconselhada. A seu tempo os motores a gasóleo virão a sofrer penalizações devido à libertação de mais partículas contaminantes, apesar dos baixos índices de CO2 que geralmente apresentam.
Por outro lado, os filtros de partículas que dispõem requerem elevadas temperaturas para se tornarem eficazes na função, geralmente só atingidas após vários quilómetros em estrada. Os manuais de instrução dos carros recomendam-no e não são raros os casos em que consumidores reclamam falhas de funcionamento dos motores dos seus veículos, somente devido a este facto.
Face a tudo isto é possível que o tempo venha a esbater outra das vantagens das versões a gasóleo: o seu valor de retoma por causa da maior procura no mercado.
Procura automóvel novo, usado ou acessórios? Quer saber mais sobre este ou sobre outro veículo?
Carros como o Mitsubishi ASX 1,8 DiD – e, de um modo geral, todos os novos motores diesel preparados para cumprir a actual norma ambiental europeia que regula as emissões poluentes automóveis designada “Euro 5” – incluem um filtro de partículas no seu sistema de escape (ver AQUI o modo de funcionamento).Acontece que tal acessório, mesmo que não exija a manutenção periódica ou a sua substituição após um determinado período, obriga o condutor a manter alguns cuidados para o seu bom funcionamento. Principalmente nos casos em que a viatura é normalmente utilizada para curtas deslocações urbanas, muitas vezes até sem dar tempo para que o motor e o turbo aqueçam e atinjam a temperatura ideal de funcionamento.(*)Nunca é demais lembrar os condutores – e este conselho é igualmente válido para todos os consumidores em geral – sobre a importância da leitura dos manuais de utilização de qualquer produto e o de um automóvel não é excepção.Veja-se esta explicação bastante elucidativa retirada exactamente do manual do ASX, respeitante ao funcionamento, cuidados a ter e explicação dos sinais de alerta relativos ao sistema de filtro de partículas deste modelo na versão com motor diesel:
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Sistema de escape de um motor Peugeot-Citroen |
“O filtro de partículas diesel (DFT) é um dispositivo que captura a maior parte das partículas existentes de gases de escape dos motores diesel. O DFT queima automaticamente as partículas capturadas durante o funcionamento do veículo. Sob determinadas condições, contudo, o DFT não é capaz de eliminar as partículas aprisionadas. Como resultado, acumula-se uma quantidade excessiva de partículas no interior.
Para minimizar a probabilidade de uma acumulação excessiva de partículas, evitar conduzir muito tempo a baixas velocidades e deslocar-se repetidas vezes em trajectos curtos.Se o aviso de DFT acender durante o funcionamento do veículo, isso indica que não foi capaz de efectuar a queima de todas as partículas aprisionadas. De forma a permitir que o DFT queime todas as partículas, conduzir da seguinte maneira:Com o gráfico da temperatura do fluído de refrigeração do motor estabilizado mais ou menos a meio da escala, conduzir durante cerca de 20 minutos a uma velocidade de pelo menos 40 km/h.”Embora não seja referido, em casos esporádicos pode acontecer o retorno ao motor de partículas e resíduos de combustível, não “queimado” e em excesso neste depósito, acabando por se misturar com o óleo lubrificante. Em consequência do aumento da quantidade do lubrificante pode surgir um novo aviso no painel de instrumentos da viatura, alertando para uma situação que obriga à substituição integral do óleo.Como facilmente se percebe, uma despesa perfeitamente evitável caso se conheçam e respeitem as indicações do fabricante.
(*) Geralmente a queima das partículas acontece quando os gases de escape atingem temperaturas superiores a 500 º